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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Há gatos e gatos

-- Juliana, vem cá pra você ver a foto do meu gatinho!
Lá vou eu atender ao pedido que parecia tão inocente. Uma dessas fotos photoshópicas de um filhote branquinho, bem aveludado, em meio a um jardim.
-- Não é lindo meu gatinho?
-- Sim, que gracinha. É seu mesmo? Uai, nunca soube que você tinha animais, nunca me contou... ele é filhote, onde você o pegou? Ou você o comprou?
-- Eu o tenho há mais de dez anos...
E então interrompeu um riso engasgado e maléfico. Minha nuca se arrepia. Oh-oh, lá vem uma armadilha para a velha louca dos gatos.
-- ... ahn... mas nessa foto ele tá filhote, é antiga essa foto?
Claro que não, tolinha, para de querer ser simpática e sai correndo daí que a patrulha casamenteira está fechando o cerco!
-- Hahahaha Juliana, Juliana...
Eu sabia...
-- ... larga de ser boba, menina! Eu não tenho bicho nenhum lá em casa - não maltrato, mas não gosto de bicho em casa. Você tem é que parar de cuidar desses bichos e levar um gato de verdade pra sua casa...
Como se fossem alternativas mutuamente excludentes!
-- ...olha os olhos desse gato aqui, que lindos! É um gato desse que você tem que levar pra sua casa!
Rá rá rá. Nossa, que engraçado.O rapaz dos olhos verdes.
-- Olha... esse gato aí tem lindos olhos, mas é cheio de gatas pelas esquinas, tô fora!
E fui embora humilde, pensando, meu deus, agora além de velha louca dos gatos que distrai sua solidão cuidando de animais abandonados eu sou a solteirona amargurada que tenta suprir suas frustrações criando gatos em casa.

É só uma pequena noção do tanto de trabalho de conscientização sobre a importância da causa animal que eu preciso fazer diariamente...